Análise ergonômica do trabalho: item essencial nas organizações e empresas da atualidade

A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é o estudo detalhado da demanda, tarefa e atividade nos postos de trabalho para identificar inadequações e fatores de risco existentes.

Define as adaptações necessárias para garantir condições de trabalho adequadas e confortáveis, sem comprometimento da saúde e segurança do trabalhador. O dimensionamento da equipe e o prazo de realização são definidos de acordo com a demanda.


Os parâmetros ergonômicos estão estabelecidos na Norma Regulamentadora nº 17. Nela, são descritos critérios para que os trabalhadores desempenhem suas funções com maior conforto e segurança.


Para falar sobre esse assunto, convidamos o Dr. Saulo Soares, médico do trabalho, Doutor Magna Cum Laude em Direito (PUCMG) e Titular da Cadeira 26 da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social – ABDSS. Ele também é coordenador da pós-graduação em Medicina do Trabalho do Instituto GPI e falou sobre a importância das empresas realizarem a AE. Acompanhe:

Dr. Saulo Soares coordenador da Pós-Graduação em Medicina do Trabalho do Instituto GPI.


O QUE É ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO?


A ergonomia é considerada uma disciplina relacionada às interações entre os seres humanos e os sistemas. É uma produção de várias áreas. Ela é tanto do médico como do engenheiro. Ela se divide em ergonomia física, organizacional e cognitiva.


A análise ergonômica do trabalho está prevista em uma norma específica, a Norma Regulamentadora n º 17 do então Ministério do Trabalho, atual Ministério da Economia. Ela define que o empregador tem que realizar a análise ergonômica do trabalho nas atividades da sua empresa para analisar os riscos ergonômicos de cada atividade e como prevenir esses riscos para que os trabalhadores não tenham adoecimento físico ou mental relacionados a riscos ergonômicos.


ENTÃO O DOCUMENTO OU CÓDIGOONDE ESTÃO DESCRITOS CRITÉRIOS PARA QUE OS TRABALHADORES DESEMPENHEM SUAS FUNÇÕES COM MAIOR CONFORTO E SEGURANÇA É A NORMA 17?


Exatamente, é a Norma Regulamentadora 17 e está prevista de sair uma outra publicação com novos critérios de ergonomia, a nova NR-17.


ESSES NOVOS CRITÉRIOS LEVARAM EM CONSIDERAÇÃO O NOVO NORMAL E AS DEMAIS REALIDADES QUE A PANDEMIA NOS TROUXE?


É possível utilizar essas novas realidades. Para cada atividade, todas as empresas terão que fazer análise ergonômica para verificar se há riscos econômicos. As empresas em grande parte não se atentam aos riscos ergonômicos e muitas das queixas dos trabalhadores são geralmente de um mobiliário que não é ergonômico, situações organizacionais, brigas entre colegas, problemas com chefia também são questões ergonômicas.


Com o novo normal, a ergonomia tem um novo desafio com o home office que é o fato de que a empresa deverá orientar os trabalhadores nas suas residências. Aí começam muitas dúvidas: a empresa deve assumir os custos? A empresa deverá comprar uma cadeira ergonômica para o trabalhador? Comprará um suporte de notebook para o trabalhador? Essas questões já estão sendo discutidas.

OS RISCOS LABORAIS PODEM SER ASSOCIADOS A MUITA COISA, NÉ?


Sim, eles podem ser relacionados à má postura, à falta de iluminação, à temperatura inadequada, aos níveis de ruídos, à ventilação insuficiente ou a ferramentas com tamanhos inadequados, por exemplo.


E a fiscalização pode questionar se a empresa fez avaliação dos riscos ergonômicos. Mesmo que uma empresa negue que tenha riscos ergonômicos, ela tem que provar que avaliou e o profissional ergonomista assumiu a responsabilidade de que ali não tem riscos ergonômicos. É possível até criar um plano de ação para minimizar riscos ergonômicos.


Geralmente as empresas têm papel reativo e buscam médico do trabalho ou ergonomista após uma fiscalização da justiça do trabalho ou até mesmo após multa do Ministério de Trabalho. Então as empresas deveriam se adiantar nisso e já ter essa avaliação ergonômica.


A ERGONOMIA DO TRABALHO VAI MUITO ALÉM DE UMA OBRIGATORIEDADE LEGISLATIVA E TRAZ MUITOS BENEFÍCIOS PARA A ORGANIZAÇÃO. NE?


Exato. Ergonomia não se trata apenas de um documento. Os trabalhadores devem conhecer os riscos e ser informados de como prevenir que aqueles riscos desenvolvam um adoecimento.


Há transtornos relacionados ao sistema musculoesquelético onde a pessoa terá uma tendinite, torcicolo, má postura, mas também existem situações de transtornos mentais relacionados ao trabalho, onde a pessoa desenvolve ansiedade, por exemplo. Tudo isso deve ser analisado, discutido e prevenido.


A PRODUTIVIDADE E LUCRATIVIDADE TAMBÉM SOFREM IMPACTO POSITIVO COM A APLICAÇÃO DE UMA AET?


Totalmente, empresas que têm verdadeiros líderes conseguem visualizar isso. Se você investe na AET, você reduz pagamento com afastamento médico, por exemplo.


Além de oferecer as condições ideais para criar um ambiente de trabalho saudável, no qual seus colaboradores possam exercer suas funções com segurança, o resultado da realização e aplicação de uma AET retorna para a companhia em forma de inúmeros benefícios, relacionados diretamente à produtividade e à lucratividade.


OS CUSTOS, INCLUSIVE AUMENTAM, QUQNDO AS EMPRESAS NÃO APLICAM AET, NÃO É VERDADE?


Sim. Por isso, há empresas que verificam que a saúde ocupacional deve ser considerada e priorizada na organização. A empresa que cuida da saúde dos trabalhadores cuida da saúde da própria empresa.


Riscos ergonômicos afetam até a rotatividade na empresa, e, consequentemente, elevam custos, pois há custos trabalhistas com as novas contratações, etc. O clima organizacional também é afetado em alguns casos. Realizar a AET é o melhor caminho para trabalhadores e empregadores, sem dúvida alguma.


No vídeo abaixo, assista a entrevista na íntegra sobre "Análise ergonômica do trabalho: item essencial nas organizações e empresas da atualidade" Por Nehemias Lima - Jornalista.