Conheça o sistema sanguíneo Kell

O sistema de grupo sanguíneo é uma coleção de um ou mais antígenos que estão sob o controle de um único gene ou de um conjunto de genes homólogos estreitamente ligados. Trinta e cinco sistemas de grupos sanguíneos (342 antígenos de células vermelhas) são reconhecidos pela International Society for Blood Transfusion.


A relevância destes antígenos se encontra principalmente no contexto das transfusões de sangue e dos transplantes. Estas moléculas de superfície podem levar a uma resposta do sistema imune, que pode destruir as células transfundidas ou transplantadas, gerando uma série de consequências graves, podendo levar, inclusive, ao óbito de quem as recebe.


Além disso, alguns antígenos de superfície de hemácias têm funções celulares com relevância clínica, como o sistema MSN, que funciona como uma chaperona, que são proteínas que ajudam a consertar erros na fabricação de outras proteínas.

Outros grupos são alvos de ataque imune em certas infecções, como ocorre com o sistema Duffy e MSN, que podem funcionar como receptores de certas espécies de malária. Além disso, alguns são receptores de citocinas (extenso grupo de moléculas envolvidas na sinalização entre as células) e que são importantes na resposta que o corpo orquestra contra infecções.


O sistema de grupo sanguíneo Kell foi descoberto em 1946 e possui pelo menos 36 antígenos conhecidos e identificados até hoje. Para falar sobre esse assunto, convidamos o biomédico Pedro Afonso, supervisor do laboratório de imuno-hematologia do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí HEMOPI. Confira:

Pedro Afonso, biomédico supervisor do laboratório de imuno-hematologia do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí HEMOPI.


O QUE É O SISTEMA KELL?


Hoje temos vários de grupos sanguíneos totalizando 43 sistemas. O sistema Kell é que é uma Glicoproteína, faz parte destes, sendo o sexto identificado em 1946, nos dias atuais contem 35 antígenos, onde o mais importante é o Ag Kell.

Exitem raridades nesse sistema, são pessoas com o fenótipo raríssimo, por exemplo, Kell nullo com maior frequência nas regiões do Japão e Finlândia. Em 2017 o HEMOPI fez a identificação desse anticorpo raro.


QUAL A % DE PESSOAS QUE EXPRESSA O ANTÍGENO KELL?


Bom, essa expressão depende muito da população estudada, de acordo com algumas pesquisas o Ag Kell é expresso em 2% para negros e 8% para os caucasianos.


QUAIS AS PESQUISAS RECENTES NESSA ÁREA?


Essas pesquisas são destinadas para a identificação de novos antígenos para inclusão no sistema.

Nos dias atuais estão testando os anticorpos com um teste chamado MMA (Ensaio de Monocamada de Monócitos/ Monocyte Monolayer Assay) e uma simulação in vitro do comportamento dos anticorpos, demonstrando assim as reações que ocorreriam no sistema retículo endotelial após uma transfusão de hemácias incompatíveis.


O QUE NÓS, CIDADÃOS COMUNS, PRECISAMOS SABER ACERCA DESSE TEMA?


Os Sistema de grupo sanguíneos tem muita importância, tanto na hemoterapia como nos casos de transfusão de sangue e, na obstetrícia nos casos de gestantes com várias gestações anteriores, dessa forma é ideal que se conheça seu sistema ABO e RhD.


A IMPORTÂNCIA DA DOAÇÃO DE SANGUE AINDA PRECISA SER MAIS DIVULGADA EM NOSSO ESTADO, EM NOSSO PAÍS?


Sim, sem dúvida! Precisamos realizar mais divulgações, pois a Divulgação da doação de sangue é de suma importância, é o nosso primeiro contato com o doador. Em nosso Estado, no Piauí, realizamos uma intensa divulgação nos veículos de comunicação como rádio, tv e mídia sociais. Mas ainda é pouco. Precisamos cada vez mais de mais doações.


O BRASILEIRO TEM DOADO SANGUE REGULARMENTE?


Sim, o povo brasileiro é bastante solidário. Devido ao avanço da pandemia da COVID 19, as doações tiveram uma queda bem significante de 20 a 30 % em 2020. Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente a taxa de doação de sangue voluntária da população brasileira é de 1,6%, número que está dentro do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).