Diagnóstico da COVID-19: Aspectos Laboratoriais e Exame Padrão Ouro

A COVID-19 é uma doença provocada pelo SARS-COV 2, um vírus pertencente à família dos coronavírus, que já causam doenças respiratórias brandas em alguns animais. Em 2019 surgiram os primeiros casos da doença na província de Wuhan, na China, se espalhando pela Ásia, Europa, África, Oceania e Américas em pouco menos de 5 meses, sendo determinada em abril pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como uma pandemia.

Por ser uma doença de fácil transmissão, várias medidas foram implementadas com o intuito de barrar a transmissão horizontal do vírus como por exemplo o uso de máscaras em ambientes públicos, o isolamento social e a testagem em massa de possíveis casos suspeitos. O diagnóstico da doença também é uma importante etapa pois é capaz de ajudar a equipe médica com as melhores decisões terapêuticas, correlacionando dados laboratoriais e clínicos.





O analista clínico também desempenha um importante papel durante o processo laboratorial, haja vista que existem várias alterações laboratoriais condizentes com o quadro infeccioso da doença, sendo sua responsabilidade identificar essas alterações e comunicar a equipe médica. Além disso, o exame padrão-ouro para a COVID-19, a técnica de RT-PCR também é parte da rotina de um profissional que atue no diagnóstico dessa patologia.


ALTERAÇÕES LABORATORIAIS


Linfopenia: A infecção pelo SARS-COV 2 apresentou, segundo estudos publicados em março de 2020, linfopenia em até 75% dos pacientes investigados. Acredita-se que o vírus afete de alguma forma a linhagem linfocitária, mais especificamente, os linfócitos T, responsáveis pela coordenação da resposta imune.


Aumento da Proteína C Reativa: Naturalmente aumenta em processos inflamatórios, a proteína C reativa é um marcador bioquímico de fase aguda, que se apresenta elevado durante a infecção pelo novo coronavírus. Por ser uma doença de sintomas agudos e muitas vezes severos, a proteína C reativa se apresentou aumentada em até 90% dos pacientes analisados, segundo estudos.


Dímero D: Sendo um produto da degradação da fibrina, o analito se encontra elevado na COVID-19 já que o vírus provoca, em alguns casos, a formação de coágulos ou microcoágulos. A fibrina que resta do processo de coagulação dá origem ao dímero D, revelando problemas de hemostasia.


Hipoalbuminemia: Presente em alguns casos, pode estar relacionado com a atividade hepática reduzida em decorrência do processo infeccioso.


Outras alterações laboratoriais inespecíficas podem envolver a diminuição dos níveis séricos de hemoglobina e o aumento nos níveis de transaminases, AST e ALT, leucocitose ou leucopenia, isso vai depender de todo o quadro do paciente. A Velocidade de Hemossedimentação (VHS), embora seja um exame muito inespecífico, está relacionado com o processo inflamatório da COVID-19 o que provoca um aumento da velocidade de sedimentação das hemácias durante a realização do exame.


Os exames laboratoriais são extremamente úteis na avaliação do paciente, desde sua entrada até o momento de sua cura. São indispensáveis para determinar o grau de gravidade da doença pois as alterações apresentadas estão diretamente relacionadas com o agravamento do quadro do paciente. O acompanhamento do tratamento também pode ser realizado ao analisar resultados coletados em diferentes períodos, auxiliando a equipe médica na tomada de decisões eficazes para a melhora e cura de cada paciente.


DIAGNÓSTICO PADRÃO OURO PARA COVID-19: RT-PCR


O diagnóstico da COVID-19 pode ser realizado de algumas formas diferentes, como por exemplo através de testes rápidos na pesquisa de anticorpos das classes IgG ou IgM. Entretanto, é preferível que todos esses resultados sejam confirmados por uma metodologia padrão-ouro, nesse caso, para a detecção de material genético viral, possuindo um nível maior de sensibilidade e especificidade. Para isso, adota-se como padrão-ouro no diagnóstico da COVID-19 a técnica de Reação em Cadeia da Enzima Polimerase em Tempo Real, ou RT-PCR.


Coleta


A amostra preferível para a realização da RT-PCR são as células da mucosa respiratória. Para ter acesso à essa região, utiliza-se um swab estéril durante a coleta. São coletadas com o auxílio de swab então nas vias respiratórias superiores, com a introdução do swab nas vias nasais com o paciente posicionado de forma a facilitar o toque do swab na parede da mucosa respiratória. As amostras são então armazenadas em tubos entre 2 e 8 ºC e encaminhadas imediatamente para os Laboratórios Centrais (LACEN’s).


Extração de Material Genético


A extração do material genético ocorre de acordo com o protocolo de RT-PCR adotado em cada LACEN. É sabido que o SARS-COV 2 é um RNA vírus, portanto precisa passar por um processo de transcrição reversa, pois o processo de PCR utiliza DNA para identificar os genes virais.


RT-PCR


Para o procedimento de RT-PCR utiliza-se então o material genético extraído e processado para que se converta em DNA. A pesquisa molecular de DNA viral utiliza como base 3 genes que constituem os coronavírus e mais precisamente, o SARS-COV 2, sendo eles os genes E, N e o gene RdRp. Juntamente ao material genético extraído, existem outras substâncias e moléculas que permitirão que as sequências específicas de DNA sejam amplificadas e identificadas simultaneamente pela termocicladora. Essas substâncias são primers, dNTPs, a Taq-Polimerase, co-fatores e água. Após vários ciclos, as sequências específicas dos genes pesquisados são copiadas de forma exponencial. A máquina de PCR consegue identificar, através de fluorescência, essas sequências, sendo possível identificar e quantificar a carga viral do paciente ao final desta etapa. Os resultados do exame são expressos em Detectável (quando presente material genético viral na amostra) ou Não-Detectável (quando a amostra não apresentar material genético viral).



Liberação dos Resultados


Os resultados são liberados para os sistemas de informação de cada laboratório. Para ter acesso ao resultado, vários estados adotam diferentes formas de informar seus pacientes com o objetivo de evitar o deslocamento dos mesmos e consequentemente a transmissão do vírus caso estejam infectados, portanto, o uso dos meios digitais de comunicação estão sendo a principal forma de comunicação do resultado entre a rede de saúde e os pacientes.

Os resultados costumam ser entregues em até 48h após a coleta da amostra, entretanto esse tempo pode dobrar em períodos de muita movimentação urbana, ou de grandes aglomerações, como feriados prolongados, festas clandestinas ou o próprio ambiente de trabalho. Todas essas situações podem aumentar o número de casos suspeitos e consequentemente o número de exames a serem realizados pelos laboratórios da rede pública. Seja consciente, o vírus ainda não foi embora. Se possível, fique em casa e use máscara sempre que precisar sair. A saúde de um é a saúde de todos.



Por Denilson de Araújo e Silva

Graduando em Biomedicina pelo Centro Universitário UNINOVAFAPI

Pós-Graduando em Microbiologia Clínica pelo Instituto GPI

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