Farmácia clínica: área em destaque na atualidade e aposta para o futuro

Ela teve sua importância ainda mais destacada desde o início da pandemia da Covid -19 e é a especialidade voltada à prática do uso racional e adequado de medicamentos, que busca cuidar, promover o bem-estar e prevenir doenças dos pacientes. A Farmácia Clínica é fundamental para auxiliar nas necessidades do paciente com relação aos modos de administração, aos padrões de utilização e aos efeitos dos medicamentos.


O farmacêutico clínico atua em hospitais, farmácias comunitárias, clínicas privadas, ambulatórios, unidades de saúde, lares de longa permanência ou em qualquer ambiente onde os medicamentos são prescritos e há consequências de seu uso.


Nos hospitais, esse profissional atua na assistência direta ao paciente através de rotinas sistemáticas de avaliação dos medicamentos prescritos analisando os riscos e benefícios de interações medicamentosas, incompatibilidade entre medicamentos, e na possibilidade de adequação da forma farmacêutica, sempre em busca de desfechos clínicos favoráveis.


Para falar sobre o assunto, convidamos o professor Manoel Pinheiro, Farmacêutico e Professor; Doutor em Biologia Celular e Molecular Aplicado à Saúde; Mestre em Ciências Farmacêuticas. Confira o nosso bate-papo:

Dr. Manoel Pinheiro coordenador da Pós-Graduação em Cuidados Farmacêuticos do Instituto GPI.


FALA UM POUCO SOBRE ESSA PROFISSÃO TÃO IMPORTANTE QUE É A DE FARMACÊUTICO CLÍNICO.


O farmacêutico é um profissional que pode atuar em diversas áreas. Historicamente, o farmacêutico é um profissional que surgiu dentro das farmácias de manipulação, chamadas de boticas. Os primeiros farmacêuticos eram os boticários e tinham que realizar uma consulta e prescrever fórmulas aos pacientes.


Ou seja, na essência da profissão farmacêutica, temos a manipulação do medicamento, mas também temos a anamnese e consulta farmacêutica. Então o farmacêutico pode diagnosticar, prescrever e manipular.

COMO ACONTECE A ANAMNESE FARMACÊUTICA?


Anamnese não é algo restrito a médicos. Enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais também têm a sua anamnese e no caso da anamnese do farmacêutico, trata-se de uma consulta realizada com o paciente, visando a otimização da farmacoterapia, possíveis intervenções farmacêuticas relacionadas a problemas de saúde.


Com o desenrolar da profissão, o farmacêutico passou também a exercer outras atividades. A indústria farmacêutica, por exemplo veio para nos mostrar isso.


QUAIS FORAM ESSAS OUTRAS FUNÇÕES ATRIBUÍDAS?


A produção em larga escala de medicamentos fez com que os profissionais fossem tecnicistas e participassem também do processo produtivo do medicamento. Veio a concepção de produzir um produto que vai tratar funções clínicas dos pacientes. Aí então o farmacêutico passou a ocupar vários lugares como hospitais, drogarias, farmácias, distribuidoras.


Dentro do hospital, hoje temos um local muito fértil, e o farmacêutico fica acompanhando o paciente desde quando é admitido até a sua alta médica. Anteriormente, ficávamos voltados apenas às questões de estoque, armazenamento do medicamento e materiais médico hospitalares. Na década de 60, nos EUA surgiu o conceito de farmaceutical care, cuidado farmacêutico.


A farmácia clínica está nas drogarias mas também está em qualquer lugar que tenha um usuário de medicamento, onde o profissional poderá exercer sua profissão.


A ÁREA DA SAÚDE FOI UMA DAS MAIS IMPACTADAS COM A PANDEMIA. QUAIS TÊM SIDO OS DESAFIOS DA FARMÁCIA CLÍNICA DEPOIS QUE A PANDEMIA INICIOU?


Nossa profissão teve um grande salto nessa pandemia. Nós passamos a ser vistos como importantes, dentro dos hospitais, drogarias, dentro dos laboratórios de análises clínicas, etc. Dentro do ambiente hospitalar, por exemplo, eu vivi isso bem de perto. Estava dando aula quando recebemos o comunicado que as aulas seriam suspensas por tempo indeterminado.


A ROTINA MUDOU DE UMA HORA PRA OUTRA, SUPONHO.


Fizemos várias mudanças nas rotinas da farmácia, no que diz respeito ao acolhimento do paciente com Covid, tivemos que nos atualizar pois era algo que não conhecíamos. Dentro da ala Covid foi colocada uma farmácia com farmacêutico 24h.


Tivemos problemas críticos em relação a estoque de sedativos, analgésicos, de drogas vasoativas e isso era um problema mundial, não tinha medicamentos suficientes para abastecer todos os hospitais. Então numa programação adequada nos estoques foi precisa.


FOI PRECISO ENTÃO QUE OS PROFISSIONAIS ESTIVESSEM BEM PREPARADOS E ISSO REQUER QUALIFICAÇÃO.


Exatamente, estávamos trocando o pneu com o carro andando. Mais do que nunca, os farmacêuticos foram essenciais e ainda são. Estamos em evidência, seja na farmácia hospitalar, nas drogarias também, realizando os testes rápidos, recebendo os usuários e realizando diagnósticos, respeitando os protocolos.


Além da questão da orientação farmacêutica em cima dos medicamentos. Dos muitos medicamentos que têm sido procurados candidatos a tratarem a Covid, se faz necessário a presença de um profissional da farmácia para esclarecer e cuidar dos pacientes da forma mais adequada, falando dos riscos, reações adversas etc.


COMO A TECNOLOGIA TEM TRABALHADO À SERVIÇO DA FARMÁCIA CLÍNICA?


Hoje em dia todo prontuário é eletrônico e a grande maioria dos profissionais utilizam disso. Na parte clínica, dispomos de vários softwares e vários aplicativos no próprio celular e conseguimos através desses apps fazer a análises de interações medicamentosas, por exemplo, ter acesso a toda a monografia daquele medicamento, tudo isso pelo celular.

Então a tecnologia está a nossa total disposição e precisamos muito dela em nosso trabalho.


No vídeo abaixo, assista a entrevista na íntegra sobre "Farmácia clínica: área em destaque na atualidade e aposta para o futuro" Por Nehemias Lima - Jornalista.