Notificação do 1º caso de infecção por Candida auris no Brasil: o que é importante saber?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou nesta segunda feira, dia 07/12/2020, uma notificação do primeiro caso de infecção por Candida auris isolada da ponta de um cateter de um paciente hospitalizado com COVID-19. Candida auris é um fungo leveduriforme isolado e identificado primeiramente no continente asiático, em 2010, se espalhando desde então pelo continente africano, Europa e América do Norte. Em 2020, teve seu primeiro relato de infecção em território brasileiro, levantando vários questionamentos acerca de sua transmissão, manifestações, diagnóstico, e do por que esse fungo possui uma importância tão grande para a vigilância em saúde.



Embora a notificação aponte o fungo como uma séria ameaça à saúde pública, ela não está relacionada à transmissão de pessoa a pessoa na mesma escala que o SARS- COV 2.

O fungo possui uma capacidade mediana de transmissão, porém oferece um sério risco quando se fala de pequenos núcleos de indivíduos, como por exemplo, um núcleo hospitalar, já que a presença de C. auris pode estar relacionada com o surgimento de infecções hospitalares com altas taxas de mortalidade. Isso se deve ao fato da C. auris possui um perfil de resistência amplo, contra a maioria dos medicamentos antifúngicos de uso comum em ambientes hospitalares, sendo uma infecção de difícil controle quando instalada nesse tipo de situação. No caso brasileiro, o fungo foi isolado da ponta de um cateter. É um fungo que atinge com muita facilidade pacientes internados em grandes centros hospitalares, podendo chegar à corrente sanguínea e afetar o sistema urinário, respiratório, ferimentos, a vesícula biliar e o canal auditivo externo, causando sequelas quando não leva o paciente à óbito.


O diagnóstico da C. auris inclui, além de cultura e isolamento de colônias fúngicas, a realização de provas bioquímicas (Maldi-Tof), sequenciamento genético (padrão-ouro) e análises fenotípicas (para determinação do perfil de sensibilidade e resistência). Após a confirmação da espécie fúngica e de seu perfil de resistência, pode-se dar início ao tratamento da infecção, que ocorre principalmente em pacientes internados por longos períodos em unidades de terapia intensiva. Vale lembrar também que a C. auris é um fungo que pode resistir e permanecer no ambiente por um longo período de tempo, de semanas a meses, não sendo eliminada por agentes desinfetantes de uso hospitalar, como os derivados de quaternário de amônio.



Figura: Colônias de Candida auris


Por Denilson de Araújo e Silva

Graduando em Biomedicina pelo Centro Universitário UNINOVAFAPI

Pós-Graduando em Microbiologia Clínica pelo Instituto GPI