Tratamentos psiquiátricos em tempos de pandemia: como reconhecer que preciso de acompanhamento?

Dr. Vicente Gomes destaca alguns sinais de alerta para acompanhamento psiquiátrico

e aponta a hipnose médica como ferramenta eficaz em diversos tratamentos

A palavra “pandemia” por si só já assusta. Uma realidade que víamos apenas na literatura passou a fazer parte do nosso vocabulário de uma forma intensa e cruel. Com ela, vários outros cenários catastróficos começaram a ser desenhados no mundo inteiro, aumentando o estresse, a ansiedade e uma gama de problemas mentais que até então nem eram encarados como problemas.


Sintomas como irritabilidade e insônia passaram a ser mais comuns na vida das pessoas.

No entanto, em alguns casos, se não tratados precocemente estes sintomas podem se agravar e tornarem-se doenças que necessitam de tratamento.


A Associação Brasileira de Psiquiatria já levantou dados suficientes para revelar que cerca de 30% dos brasileiros podem desenvolver transtornos mentais. Mesmo pessoas que não chegarão a ser diagnosticadas, podem sofrer e terem suas vidas muito prejudicadas por manterem sintomas prejudiciais ao longo do tempo.


A saúde mental ganhou mais espaço e passou a ser mais discutida nas rodas de conversa, congressos de saúde virtuais, até mesmo na mídia. Sobre esses assuntos relacionados à saúde mental, conversamos com o médico psiquiatra, Vicente Gomes, coordenador da pós-graduação em Psiquiatria do Instituto GPI, que conta com excelentes professores e promete muitas novidades, mais um diferencial das nossas pós-graduações.

EM TEMPOS DE PANDEMIA, A ÁREA DE VOCÊS FICOU EM EVIDÊNCIA E A SOCIEDADE PASSOU A DAR MAIS IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE MENTAL, CERTO?


Sem dúvidas, nesse momento em que vivemos é importante manter a saúde mental em dia. Ela tem sido em afetada não somente com a pandemia, mas também com a crise econômica, violência, competitividade, corrupção e vários outros problemas que compõem um cenário que se o indivíduo não tiver um estilo de vida saudável e conseguir dominar suas emoções, isso certamente afetará a sua mente e ela poderá entrar em um estado de adoecimento e comprometer sua saúde mental.


ESSE LEVANTAMENTO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA APONTA QUE CERCA DE 30% DOS BRASILEIROS PODEM DESENVOLVER TRANSTORNOS MENTAIS. É POSSÍVEL DETECTAR SINTOMAS QUE NOS ALERTEM PARA UM ACOMPANHAMENTO PSIQUIÁTRICO?


É possível sim. Existem sintomas que funcionam exatamente como uma espécie de alerta. Por exemplo, se o indivíduo tem febre, isso indica que tem algo de errado com o organismo. Ele tomará um remédio para baixar a febre, mas aquilo é um sinal de algo que precisa ser tratado no seu corpo.


Falando de saúde mental é exatamente assim. Às vezes, a pessoa sente irritabilidade, perde o foco em suas atividades, tem taquicardia, fica sem fôlego, passa noites mal dormidas, ou então acorda muito durante a noite. Isso não é algo normal. Insegurança e preocupação excessiva também são sintomas que devem despertar um alerta.


Há situações de adoecimento, por exemplo, em virtude do isolamento social em que estamos vivendo, a pessoa evita contatos, não tem mais a mesma produtividade no trabalho, não se alimenta bem, tem sono comprometido ou às vezes até dorme demais, choro fácil, aperto no peito, oscilação de humor repentina e se esses sinais iniciais não são observados, evoluem para uma doença mental.


É IMPORTANTE TAMBÉM DESTACAR QUE O ESTRESSE, DEPENDÊNCIAS QUÍMICAS, DEPRESSÃO, ALCOOLISMO, TRANSTORNOS ALIMENTARES E DE ANSIEDADE SÃO

TRANSTORNOS MENTAIS E DEVEM SER TRATADOS COMO TAL.


Super importante destacar isso e também devemos destacar os métodos de compensação. Às vezes a pessoa entra em algum tipo de dependência para tentar compensar algo que não está legal. Isso vale para compra excessiva, uso excessivo de redes sociais, uso excessivo de álcool ou até drogas ilícitas.


Às vezes, por exemplo, uma pessoa toma uma dose de uísque porque o sono não chega. Só que isso vira rotina e ela passa a tomar uísque todas as noites porque o sono não chega. Então o que acontece é uma falsa compensação que na verdade trará uma dependência para a vida dessa pessoa. Tudo isso merece e deve ser encarado e tratado como problemas de saúde mental.


MUITAS NOVIDADES VIRÃO EM NOSSA PÓS-GRADUAÇÃO EM

PSIQUIATRIA. É ISSO MESMO, DR. VICENTE?


Com certeza. Preparamos algumas surpresas. Nossa pós é realmente diferenciada, temos profissionais qualificados, tecnicamente falando, mas eles também são profissionais humanos que querem ajudar ao próximo.


Em virtude da pandemia, fizemos um primeiro momento on-line, mas há possibilidade de quem ainda não começou a cursar a pós-graduação, assistir as aulas on-line pois elas estão gravadas. Teremos também novidades práticas: até quem assistiu o primeiro módulo de forma remota, poderá cursar o próximo módulo de forma presencial.


FALA UM POUCO SOBRE AS NOVIDADES NOS MÓDULOS QUE

VOCÊ MINISTRA.


Eu começo falando sobre o módulo que é inédito, sobre hipnose médica aplicada a psiquiatria. Nunca vi um módulo com esse tema em pós-graduações em psiquiatria pelo Brasil.


Será um módulo teórico, mas também com muita prática. Sabemos que a medicação atua no sintoma. Se a pessoas não está bem, não consegue dormir, se sente indisposta, ela melhora ao tomar o remédio, conseguindo relaxar, mas o medicamento atua no sintoma e é importante uma abordagem psicoterapêutica para complementar o tratamento medicamentoso.


A hipnose é um tratamento psicoterapêutico excelente. Temos conseguido ajudar a muitos pacientes fazendo a hipnoterapia médica, através do método CMD – Condicionamento Mental Direcionado. Trouxemos, além da hipnose médica, a programação neurolinguística,

técnicas de meditação e mais outras ferramentas para ajudar as pessoas.


A hipnose, em mãos habilidosas, pode ajudar muito as pessoas, inclusive, ressignificando situações traumáticas, pois desde o período intra-uterino, ainda na barriga da mãe, nós passamos por traumas, perdas, frustações e decepções, ficando muita coisa armazenada na mente inconsciente. Na hipnose, conseguimos ter acesso a essas informações e damos um novo significado para isso, e o indivíduo passa a lidar melhor com suas emoções, estresse excessivo e controle de ansiedade.


OUTRA ÁREA QUE SERÁ ABORDADA NA PÓS-GRADUAÇÃO É A DA PSICOGERIATRIA. FALA UM POUCO DESSA ÁREA E DAS ATIVIDADES REALIZADAS NESSE MÓDULO.


Primeiramente é importante destacar que a psicogeriatria é uma área de atuação da psiquiatria. Só é psicogeriatra quem é psiquiatra. Neste módulo, falaremos sobre as alterações do comportamento do idoso, quadros demenciais, doença de Alzheimer e outras situações que envolvem o universo da saúde mental do idoso. Será muito interessante.


FALANDO EM PSICOGERIATRIA, OS DESAFIOS QUE VOCÊS PSICOGERIATRAS ESTÃO ENCONTRANDO DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA DEVEM SER INÚMEROS, AFINAL OS IDOSOS DEVEM ESTAR BEM ABALADOS POIS FAZEM PARTE DO GRUPO DE RISCO.


Quando a pessoa entra na terceira idade, algumas mudanças ocorrem e a pessoa deixa de ter uma atividade diária de trabalho, por exemplo, isso acaba mexendo com autoestima e a funcionalidade do indivíduo. Isso já compromete a saúde mental do idoso.


Neste momento de pandemia então, de distanciamento, de muitos cuidados, os idosos estão também se adaptando à nova realidade e sentindo o impacto do “novo normal” Há casos que os idosos entram em quadros iniciais depressivos que se forem tratados no início, melhoram o prognóstico. É fundamental focarmos no que pudermos fazer para ajudar o nosso idoso.


DEIXE UMA MENSAGEM FINAL DE ESPERANÇA E AMOR PARA OS IDOSOS E PARA A SOCIEDADE EM GERAL NESSE MOMENTO AINDA PANDEMIA.


Essa é a palavra-chave: esperança. A pandemia ainda é uma realidade que causa medo e insegurança. Que cada um de nós façamos a nossa parte. Cuide de você, entenda o seu limite, respeite-o para que você consiga fazer o mesmo pelo próximo.


Para ajudar alguém, você precisa estar bem. Veja como está sua rotina, tente se organizar, todos estão sendo impactados, desde a criança ao idoso. O mundo está precisando nesse momento de respeito, compreensão, solidariedade e principalmente amor. O amor é fundamental, ele cura.


Vemos nos consultórios muitos casos em que a criança ou adolescente só precisa de atenção e amor por parte dos pais, quando os pais acham que o filho precisa de medicamentos. Valorize as pessoas, sua família, amem as pessoas! O amor faz muita diferença.


No vídeo abaixo, assista a entrevista na íntegra sobre "Tratamentos psiquiátricos em tempos de pandemia: como reconhecer que preciso de acompanhamento?" Por Nehemias Lima - Jornalista